Receita: uma dose de solidão

A maioria das pessoas vê problemas em se ver sozinha.

Eu sou da parte da população que, ao contrário, meio que procura a solidão. Mais do que isso, precisa de solidão pra viver.

Só que, não sei quando exatamente, cheguei num ponto perigoso.

De tanto construir barreiras invisíveis pra impedir que as pessoas conseguissem chegar mais perto de mim do que elas deveriam acabei por… me perder em mim mesma. Não sei se pra todo mundo é assim, mas pra mim tem vezes que a vida atinge uns picos de felicidade pra, logo em seguida, te afundar na mais profunda melancolia. E, sabe, isso não é de todo ruim. Porque te obriga a olhar face a face contigo mesmo. É aquele tipo de momento que se evita a todo custo, talvez até inconscientemente, mas que um momento te encontra.

O meu chegou tem uns dias. Descobri que não sei reagir à dor. Tipo, dores profundas. Se é comigo e isso só diz respeito a mim, ok, eu até que sei mais ou menos o que fazer. No entanto, se a origem da dor é em alguém que é muito importante pra mim, simplesmente não

consigo

lidar.

Mais do que não conseguir lidar psicologicamente, descobri que meu corpo não consegue esboçar a mais ínfima reação minimamente esperada. Eu me sinto muito mal com isso, mas não é o tipo de coisa que tenha o que se fazer.

Errei a dose de anestesia – mas ela já vem sendo injetada há muito tempo e agora é tarde demais.

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