Temos todo o tempo do mundo

[play aqui, por favor]

Estamos no meio da segunda semana de aula no meio acadêmico. Me deparo com meus colegas, professores, todos imersos na mesma redoma, me perguntando quais noites tenho aula, quais disciplinas estou fazendo e… “Então, eu tranquei o curso”.

– COMO ASSIM? E agora? Que curso tu vai fazer?

– Então… Eu não sei. Eu estou completamente perdida na vida.

Por um lado, é o meu mais sincero e alto “foda-se” que grita lá do fundo do peito. Acho que dá quase pra ver nos meus olhos, sem que eu precise falar nada.

Sabe o que é?

Aprendi a me dar o direito de não saber. E não adianta me olhar com essa cara de espanto ou dar aquele risinho sem jeito de quem não sabe pra que lado correr. Na verdade, quase todo mundo não sabe, mas não são todos que admitem.

Eu percebi, tem pouco tempo, que “me dar o direito de não saber o que fazer com a minha vida” é a atitude mais libertadora que eu poderia ter tido em 21 anos de existência. Me coloquei num lugar que, dando forma, é mais ou menos assim a sensação: é como se eu estivesse sozinha no topo de um morro e, de lá, vislumbrasse toda a cidade, com todo o tempo do mundo para apreciá-la até decidir se o melhor é seguir por aquela rua estreita e pouco iluminada ou por aquela outra de pisca-piscas. Ou me deitar ali mesmo e contemplar as estrelas bem acima de mim. E por que não?

Tudo é aprendizado. E é pra aprender que estamos aqui.

E, falando em aprender, acredito muito mais no aprendizado por experiência do que nesse modelo arcaico que distancia cada vez mais quem aprende de quem ensina. Tu não precisa aprender “de” se tu pode aprender “com”. E isso não se aplica somente à sala de aula. Se aplica em viagens, em conversas na calçada com desconhecidos, em perguntar como se chega a tal lugar porque a bateria do GPS te deixou na mão. É descobrir que o ser humano é muito mais incrível do que o melhor robô que estiver na palma da tua mão.

Acredito que tu pode te dar o direito de errar uma vez, tentar de novo, errar de novo, tentar de novo, errar novamente, tentar mais uma vez, errar feio de novo, tentar ainda uma mais e, aí, encontrar o acerto. Sabe por que? Porque todos aqueles teus erros anteriores é que vão te ensinar a não errar mais. É explorando, descobrindo e quebrando a cara que tu vai descobrir do que tu gosta, do que tu não gosta e aquilo que tu nasceu pra fazer. Como vou saber que prefiro comer chocolate a couve-flor se nunca estiver experimentado nenhum dos dois?

Pensa na tua infância.

Os dias eram legais porque tu vivia explorando o mundo. Explorando a imaginação. Caindo, ralando o joelho, chorando, vendo a ferida cicatrizar e correndo de novo, tomando mais cuidado que da última vez. Tenta reencontrar essa criança dentro de ti. Desenvolve uma curiosidade genuína pelo mundo. Abre espaço pra te encantar, mesmo quando erra. Tu nunca sabe onde o teu próximo passo pode te levar.

A vida pode ser muito mais incrível e te colocar em situações muito mais loucas do que a tua imaginação mais distante. Aproveita.

Tem tanto mundo pra explorar, tanta gente pra conhecer, tantas formas diferentes pra se viver, que ficar trancado dentro de casa por muito tempo é o maior desperdício. Talvez na próxima esquina tu descubra que nasceu pra fazer algo que nem sabia que existia. O mundo muda, se reinventa a cada segundo. E as pessoas também. E a maior verdade é que quase nada disso está sob o nosso controle. Essa é que é a graça!

E eu… Bom, eu continuo não fazendo a menor ideia do que fazer com a minha vida.

Só queria deixar essas palavras aqui como lembrete pessoal. Que vir aqui e reler isso cada vez que sentir que esse espírito está se perdendo me ajude a recuperá-lo. Isso é um lembrete pra mim mesma de que a vida pode ser muito mais do que é. E eu tenho que tomar toda coragem que eu acho que tenho pra ir. Ir sem medo, sem amarras, sem julgamentos. Simplesmente tomar a forma mais crua de ser humano que eu conseguir, abrir minha mente e me libertar.

Me dar o direito de sentir.

São as sensações que nos dão vida.

E eu quero me sentir viva.

A cada dia que acordar. A cada dia que for dormir. Até que chegue o último deles.

Sonho (nem tão) distante

“A gente não tem como se perder se,

do mesmo, nem temos destino certo pra chegar.”

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