Dos pedaços do coração que se espalham por aí

[Sinta-se convidado a ficar o mais próximo possível do estado que eu estava ao criar isso. Essa aqui era a música que tocava enquanto eu escrevia]

Semana passada bateu o desespero.

Desde o momento em que os conheci sabia que a hora da despedida iria chegar. Eu lembrava o quão sufocante havia sido da última vez – e, mesmo que não lembrasse, minha família fez questão de refrescar minha memória no exato segundo que comentei com eles que havia os conhecido e pretendia celebrar.

“Aqui em casa, não. NÃO. Ouviu?”

“Mas mas massss”

No início, eu não entendi tamanha rejeição. Eles nem mesmo os conheciam! Então, meu lado detetive emocional entrou em ação. Não sei exatamente que caminhos minha mente faz, mas existe um ponto específico que me dá a capacidade de me colocar no lugar das pessoas que tento entender – e é esse ponto que me ajuda a solucionar os problemas (dos outros, é verdade, mas isso é só um detalhe).

Lembrei da última vez, há dois anos. De como estávamos completamente despreparados para a despedida. Como eu sentei na sacada, olhei para as estrelas e, mesmo encharcada no mar que corria dos meus olhos, decorei a posição de cada uma no céu daquela noite. Era uma tentativa desesperada de ver que, apesar de tudo, ainda estávamos conectados de alguma forma.

Tudo isso passou pela minha cabeça quando conheci meus amigos há menos de dois meses atrás. O êxtase de convidá-los para entrar no meu mundo e de deixar-me ser convidada para entrar no mundo deles. E, obviamente, a dor da partida. É um fantasma que te persegue quando você sabe que tem data certa para o fim. Digo, “O fim”.

O que eu fiz com esse fantasma? Decidi ignorar completamente.

Eu sabia que doeria. Eu sabia que rasgaria cada pedaço daquilo que eu chamo de coração. Mas eu estava disposta a passar por isso, se esse fosse o preço a pagar por conhecer aquelas pessoas que se projetavam diante das minhas retinas – com sorrisos iluminados e abraços bem apertados.

Só que esse preço era x2.

E, antes que eu me desse conta, foi multiplicado por 20.

Agora, dia após dia, a vida está me cobrando o contrato que assinei com ela.

Semana passada foi quando caí na realidade.

E eu não conseguia evitar sentir.

Era nó na garganta. Era enjoo no estômago. Era a sensação de que tinha alguma coisa sugando meus pulmões. Alguma coisa me sufocando. E eu segurava o choro porque tinha um dia cheio de tarefas pra cumprir e pessoas pra olhar na cara. E, quando estava sozinha, eu desabava. Chorava com vontade de gritar. Tentava respirar, mas nem isso conseguia direito.

E as pessoas começaram a perceber.

Mais do que isso, as pessoas começaram a perguntar o que eu tinha.

E eu sabia o que era, mas não conseguia ver com a nitidez necessária. Os pensamentos só estão começando a desembaraçar agora, com aquela distância que precisa, sabe?

Agora, que a primeira despedida já foi. E eu tenho mais aproximadamente 19 pela frente, até o mês acabar. Como vou sobreviver? Eu não tenho a menor ideia.

A única coisa que eu sei até agora é que SEMPRE estou COMPLETAMENTE despreparada pra despedidas. Só que não é por isso que vou deixar de celebrar as chegadas.

Afinal, se a única coisa certa é que “todo início tem seu fim”, o que nos resta é aproveitar as experiências que estão no caminho que leva um até o outro. Certo?

[mesmo que cada fim leve consigo um pedacinho do meu coração]

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