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Na boa, dá medo. Olho pras pessoas que de certa forma participam ou participaram da minha vida – desde artistas até ex-colegas de colégio – e vejo gente que não merece e tem o que gente que merece não tem. Tipo… Companhia. Amorosa.

Pessoas que chegaram pra mim em pânico por terem sido pedidas em namoro, hoje estão com alguém que talvez goste de verdade delas, mesmo que o sentimento não seja recíproco. Pessoas que estão namorando por status. Simplesmente pra mudar o relacionamento lá no Facebook e gritar pro mundo que, sim, elas têm alguém pra quem ligar quando não estão bem, pra lhes afastar da solidão, pra dizer as palavras quem precisam ouvir ou, simplesmente, fazer cafuné – não apenas pela sensação boa, mas por abrigo, mesmo.

Na outra extremidade da linha, aqueles que estão quase completando seus – sei lá – 30 anos e, caramba, não consigo entender como não têm alguém ao seu lado. Gente que escreve as melhores palavras que alguém poderia ler, cantam alto pra lavar a alma, têm coragem o suficiente pra discordar do mundo quando necessário for – e pra mostrar seus sentimentos também. Pessoas que materializam tudo aquilo que, de tanto procurar em vão, achei que fosse apenas mais um protótipo de tipo perfeito que minha mente foi capaz de inventar. E quando a última gota de esperança decidia se pingava ou evaporava, sua face de alguma maneira apareceu no outro lado do reflexo invertido.

Aí – como se não bastasse – o inverno se aproxima, trazendo temperaturas negativas e se é que isso é possível mais carência. Apenas imagine a cena clichê, mas nem por isso menos verdadeira: sofá, lareira, filme, chocolate quente. Abraçada num cobertor e… Em alguém. Alguém que provoque sorrisos só de invadir as memórias, que tenha o melhor cheiro do que qualquer fragrância no mundo, que saiba o momento de pronunciar cada palavra ou de apenas ouvir o silêncio. Que, ao envolver-te em seus braços, te fizesse sentir que ali é o melhor lugar que poderia estar. De quem não sentiria vergonha ao estar vestida com shorts e moletom velho, cabelo bagunçado, sem maquiagem. Aliás, que preferisse assim. Por quem tu suportaria coisas que não gosta – como programas de lazer que normalmente tu não faria – e passasse a não ver mais problemas, simplesmente porque não te sentiria mal ao estar ali. E que fizesse o mesmo por ti. Alguém com quem tu não conseguiria passar muito tempo brigada, e nem ele contigo, porque separados sentiriam que faltaria uma parte essencial de cada um de vocês.

Aquela pessoa que fizesse com que tu te sentisse confortável simplesmente por saber que ela existe. E que vocês finalmente chegaram àquele momento em que estão no mesmo segundo, no mesmo lugar, encontrando o olhar um do outro.

Sério… Tô me iludindo tanto assim?

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