Batizado universitário (vulgo trote) – Parte 1 de 2

Semana passada iniciei minha vida acadêmica. Como manda a tradição, embora a algum tempo atrás a maioria das universidades o tenha abolido, é nessa primeira semana de aulas que costuma acontecer o tão temido trote. Trote, pra quem não sabe, são sacanagens que os alunos veteranos de cada curso (no meu caso, Fotografia) aplicam nos calouros. Costumam envolver farinha, água, ovos, vinagre, e outros ingredientes que podem variar conforme a malandragem criatividade dos veteranos.

Como não moro na mesma cidade que fica a minha universidade, sou obrigada a enfrentar em torno de 1h20min de ônibus todos os dias. O que eu temia não era nem voltar fedendo pra casa, mas se a empresa com a qual eu volto me deixaria… Bom, voltar.

Tudo começou numa noite tranquila de quarta-feira. Com a viagem tudo foi relativamente normal. Chegando na universidade, os mistérios começaram a surgir. Encontrei minha sala de aula movimentada, com 90% da turma do lado de fora, conversando, em dúvida se a aula realmente seria ali. Tocou o sinal. O professor demorou muito, mas MUITO tempo pra vir. Quando chegou, nos informou que nós deveríamos mudar de sala porque aquela não tinha equipamentos de multimídia, essenciais pra aula daquele dia. Todos nós fomos direcionados ao estúdio de televisão de lá, onde supostamente teríamos a nossa aula. Foi uma enrolação imensa entre encontrar e instalar os equipamentos, até que, de repente, entram pela porta dois alunos e uma professora.

Eles foram muito convincentes ao nos informar que o trote havia sido abolido nesse ano – pausa para o suspiro de alívio – e, no seu lugar, teria o trote solidário, que consistia em levar 1kg de ração pra cachorro pra ajudar um lar de cães abandonados da cidade. Enquanto eles nos explicavam, meu professor foi chamado ao lado de fora do estúdio e aí começaram as primeiras evidências da minha desconfiança…

Os três saíram sorridentes do estúdio e nesse meio tempo nós também fomos levados a uma outra parte do ambiente. O professor estava começando sua explicação no silêncio da noite e tudo parecia bem. Foi aí que começou um barulho ensurdecedor de apitos.

Uma mistura de alívio e preocupação começou a invadir nossas mentes… Mas já era tarde demais.

4 respostas em “Batizado universitário (vulgo trote) – Parte 1 de 2

  1. Querida Lê, ler essa história me fez recordar meus primeiros dias na Universidade (Letras). Aqui em Portugal, a 1ª semana é chamada a Semana da Praxe, em que os alunos que aparecem pela 1ª vez são praxados.

    Ser praxado é algo que tanto pode ser muito divertido, como pode ser aborrecido. Depende muito dos veteranos (colegas do 3ª ou 4ª ano) que são quem praxa.

    Já teve até alguns problemas com as praxes, muitos deles saídos na comunicação social e levados a tribunal, simplesmente porque muitos veteranos exageram e chegam a humilhar os mais novos.

    No meu caso, foi uma semana bem divertida, se bem que eu evitei ir na Faculdade a semana toda e só participei em algumas situações.

    Beijos.

    • Então a diferença entre Brasil e Portugal deve ser apenas o nome. Fiquei com receio de perder algum conteúdo importante e como não tinha certeza se realmente teria o trote, acabei indo. Eu dei risadas do início ao fim! Hahaha. Vocês têm em mais de um dia?
      Beijo

      • Aqui dura a 1ª semana de aulas. Raramente os professores participam, a não ser aqueles professores mais jovens que podem colaborar numa ou noutra situação.

        Depois, ao longo do 1º ano do curso, temos várias festas pelo país. Lisboa (onde eu vivo) tem inúmeras; por exemplo, todas as Quintas-feiras é a noite do Caloiro (Caloiro é o nome do aluno que está no 1º ano do curso). Nessa noite, você vai para alguns locais onde é só Caloiros de várias universidades. Essencialmente, você passa a noite bebendo, rsrsrsrs

        Em Coimbra é o local do país com mais tradições académicas. Ao longo do ano lectivo tem imensas festas. Depois, em Maio tem lá a Queima das Fistas. A Queima das Fitas é como uma festa para os alunos que estão terminando o curso, mas vem gente de todo o país só para assistir, é muito bonito de se ver e muito simbólico.

        • Que máximo! Aqui, pelo que eu sei, as festas são mais concentradas nas cidades, mesmo, geralmente divididas pelos cursos. O que tem são shows de volta às aulas que as próprias universidades fazem. Ali sim todos os alunos se reúnem. Gente, adorei as tradições de vocês! Quero presenciar a Queima das Fitas um dia, quando for conhecer a Europa, haha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s