Macassita

Poderia ser mais uma travessia da cidade à pé, em ritmo de São Silvestre maratona, só pra chegar ao Shopping de Fábricas, encontrar nossos edredons e voltar carregando aquelas sacolas imensas no centro que fica mais movimentado a cada minuto que o sol se aproxima do horizonte. Poderia ser apenas mais um King Kong pra coleção. Sim, poderia. Se não fosse a pessoa que eu conheci lá.

Entre uma loja e outra, encontramos uma que chamava a atenção por se destoar do que estamos acostumados a enxergar. Não eram simples anéis, gargantilhas e outros adereços que estavam expostos ali. O sotaque do vendedor, e a sua aparência também, não eram típicas de alguma região do Brasil. Curiosa como sou, fui dar uma olhada.

Com pedras preciosas realmente lindas, aquelas jóias eram bem atraentes aos olhos, devo admitir. A minha vontade era levar todas. Mas como a carteira nem sempre anda lado a lado com a vontade, o jeito é se conformar. E não estou dizendo que a jóia era cara. Bem pelo contrário: era mais barata do que a maioria das bijuterias por aí. Eu é que fui pega desprevenida mesmo.

– Qual é o nome dessa pedra?, perguntei.

– Macassita, respondeu-me o vendedor.

– Que linda! Não é daqui do Brasil, né?

– Não. Veio da África…

– O senhor também é africano?

– Sim, sim.

– De que região?

– Do Senegal.

Foi mais ou menos assim o diálogo inicial. Eu, como sempre, fiquei numa dúvida eterna sobre qual anel levar, mas no fim me decidi por esse:

Lindo, né?

Não escondo a minha surpresa em ter encontrado alguém de outra nacionalidade aqui, no Rio Grande do Sul. Num shopping, ainda por cima. Eu realmente admiro a coragem dessas pessoas de virem pra cá, sem nem mesmo saber o que vão encontrar ou se vai dar tudo certo. Simplesmente vir, na cara e na coragem. Eu poderia ter ficado horas lá, conversando e aprendendo sobre um país que eu sei muito na teoria – dos livros didáticos -, mas pouquíssimo na prática. Mesmo que tivesse que substituir uma palavra por outra, de vez em quando, ou apelar pra mímica – afinal de contas, pelo que eu sei o Português é um dos idiomas mais difíceis de se aprender, e esse era apenas mais um dos desafios que esse cidadão teve que enfrentar ao atravessar o oceano. Aprender, acima de tudo, sobre a vida. Enxergar mais longe, sabe? Espero encontrá-lo por lá em 2013. E os anéis também, haha.

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