Uma maneira diferente de se ver

– O que é aquele movimento naquele lado da calçada?

Era uma noite de sexta-feira e nós estávamos passeando pelo centro de Capão da Canoa. Apesar de todo aquele vuco-vuco aglomerado de gente, havia um canto próximo à esquina de um dos shoppings que chamava atenção. Era um mural com algumas caricaturas de famosos, como Dunga e Maradona, e, um pouco mais adiante, um homem desenhando duas pessoas que estavam sentadas no pufe, à sua frente. Tinha também um assistente, ao lado de um holofote foco de luz.

Vamos ignorar o fato de que um dos meus sonhos era ter uma caricatura própria e partir do princípio de que eu havia convencido quem estava comigo a ir lá assistir o caricaturista se divertir fazendo o que gosta. Como era de se imaginar, eles também adoraram os desenhos.

Éramos os próximos da fila. Enquanto nos desenhava, Rogério, o caricaturista, conversava com a gente. Foi aí que descobrimos que ele já esteve por 4 anos seguidos – a trabalho – na Festa à Fantasia, um dos eventos mais famosos da nossa cidade. Conforme a obra estava sendo feita, acumulava-se mais gente ao redor de onde estávamos. Eles olhavam pro desenho, olhavam pro nosso rosto, tornavam a olhar pro desenho e davam uma risadinha discreta. Todos faziam isso, o que provocava uma sensação estranha. Era algo que dava vontade de rir e, ao mesmo tempo, intimidava. Como se não bastasse a nossa curiosidade facilmente perceptível, isso a fazia crescer cada vez mais. Tornei meu pensamento público.

– Então olha, ué – disseram-me.

Nesse momento eu já me levantava pra olhar, óbvio. Era o empurrãozinho que faltava! Porém, o que eu não contava era que o caricaturista viraria seu bloco pro outro lado e diria:

– É surpresa! Só pode ver depois que tiver pronta.

Precisa dizer o quanto eu resmunguei?

Outra coisa bacana é que, de preferência, tu precisa estar sorrindo pro desenho. Como qualquer um pode imaginar, o sorriso não influi apenas no movimento dos lábios, mas no das bochechas que, consequentemente, refletem nos dos olhos. Ou seja: sorria. Eu nunca fiquei tanto tempo sorrindo na minha vida. Me deu até cãibra nas bochechas! E não pense que demorou pro desenho ser feito, porque foi bem o contrário. Era uma agilidade admirável.

– Prontinho – disse o Rogério, destacando a folha do bloco.

Que rupam (?) os tambores!

Nesse momento, os olhares das pessoas ao nosso redor se intensificaram. A essa altura, eu já devia estar era bem vermelha. Sorte que era noite.

PAPAPAPAPAPAPA TCHARAM!

A primeira reação – e digo isso por todos que eu vi se vendo – é rir. É bem engraçado, não me pergunte o porquê, porque eu também não sei, ver teus traços ali, desenhados. Depois de rir tu começa a te comparar com a tua versão caricatura. Foi nessa etapa que percebi, por exemplo, que minha boca não fica simetricamente reta quando eu sorrio. Embora a caricatura seja levada mais pro estilo fotográfico, ao contrário daquelas que ressaltam características marcantes das feições. Mas ainda assim.

Quando a caricatura não é individual, como no meu caso, vem a terceira parte: onde colocar? Tinha meu irmão do meu lado. Eu queria ela no meu quarto. Ele, óbvio, no dele. No final, acho que vai ficar na sala, já que é um dos lugares mais neutros da casa. Ou no escritório. Ah, quem se importa?

Eu tenho uma caricatura própria agora! Hahaha

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