Doce aroma (parte 5 de 5)

Início da história (parte 1).

Parte 4 aqui.

 

Depois de atravessarmos a cidade carregando sacolas enormes de endredons, cobre-leitos e travesseiros,  finalmente chegamos em casa. E famintos. Largamos as aquisições do dia lá no apartamento e voltamos à rua em direção ao nosso restaurante favorito para a melhor gordice do litoral o café das 4. Tortas, bolos, pastéis, croquetes, as incomparáveis panquecas de chocolate e, claro, café, nos aguardavam naquele espaço enorme do qual eu sinto saudade o ano todo.

Cosquinha (ou cócegas, como preferir) nos ouvidos, cheiro de terra molhada, gente correndo e a rua – do nível do mar – se alagando rapidamente. É, a chuva chegou. Parece que iríamos passar mais tempo do que o planejado ali. Depois de alguns minutos de espera, decidimos dar uma volta no shopping ao lado, já que no da frente só seria possível de caiaque. Já na entrada dava pra sentir aquele cheiro doce irresistível. “Mesada, tu já tem destino”, pensei.

Olhamos demoradamente algumas lojas de bijuterias e roupas até que – finalmente – o cheiro foi ficando mais forte. Sério, eu poderia ter um espaço relaxante só com esse aroma que eu já ficava feliz. Mas voltando: tava um movimento absurdo lá. Depois, conversando com o vendedor de boné, a gente descobriu que era a fiscalização que tinha acabado de passar por ali e que os caras que ali estavam naquele momento eram os chefes dele. Escolhi meus chocolates, contrariando minha prima, Grazi, já que eu tinha meu próprio dinheiro, mas sob a constante chatice do meu primo, o Antônio (já mencionei o quanto ele estava irritante naquele dia?). Fiasco é um adjetivo adequado pra definir as cenas que ele fez questão de proporcionar.

“Deu R$ 9,00.”, disse o cara dos chocolates que, aparentemente, me reconhecia em qualquer lugar.

Minha prima ia pagar com a minha nota de 10,00 que estava com ela.

“Pô, só um realzinho? Aproveita e pega outra barra ali.”

Se eu hesitei? Cara, estamos falando de chocolate. E, como se não bastasse, ele era de Gramado. Nem pensei duas vezes. Quando vi, já estava ali guardando minha barra de chocolate preto com damasco.

“Hahaha, isso aí”, respondi.

“Né? Por que ficar só com um real e correndo o risco de perder, ainda por cima, se dá pra levar mais um chocolate?”

Todos riram. Menos meu primo, que estava preocupado com os chocolates que ele não ganharia por conta própria, já que gastou todo seu dinheiro antes mesmo de tê-lo em mãos. Administração: por bem ou mal, um dia tu precisa lidar com ela. E ele aprendia isso na prática.

“Obrigada! Tchau!”, eu disse.

“Valeu. Boa noite, gente!”, disse o cara do chocolate, sorrindo.

Depois disso, tive que tirar meus calçados e andar descalça até o meu prédio, já que a água da chuva ainda corria velozmente pelas ruas. A partir daí, os passos molhados se transformaram em metros, que se transformaram em quilômetros. De tantos, é melhor fazer a contagem em horas. Por enquanto, a distância é de 5 delas. Depois? Só o destino poderá dizer.

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