ponto.

Quando nos aprofundamos e investimos energia em pessoas vazias, a única coisa que encontramos é o eco dos nossos próprios esforços. Quando mergulhamos de cabeça em pessoas rasas, o mais provável resultado é quebrar a cara.

O vazio e o raso, no entanto, são largamente subjetivos (e como tudo que é subjetivo, mudam com o tempo). Aquilo que para uma pessoa é oceano, para outra pode ser uma poça d’água. Aquilo que ontem era pleno e profundo, hoje pode ter se tornado vazio e insuficiente.

É o vai-e-vem de uma maré individual. E ninguém é melhor mergulhador das tuas profundezas do que você mesmo. É somente você, portanto, que pode saber a medida do que deve ou não ser aceitável nas tuas relações.

Há quem sofra por derramar oceanos em alguém que só deseja um copo d’água. Da mesma maneira, há quem se assuste por receber toneladas quando desejava apenas um punhado. Há, também, pessoas que entregam o mar a alguém que sonha com montanhas.

Ninguém é obrigado a sentir, desejar, amar. Assim como ninguém é obrigado a se contentar com migalhas afetivas. Sentimentos e desejos se manifestam de maneiras diferentes em cada um de nós.

Eis o difícil ponto de equilíbrio das relações humanas. A complexa dança entre auto-respeito e empatia.

-pedro calabrez

par.ti.da

toda noite

o sol parte

todo dia

pessoas partem

do parto

ou partem

pro infinito

o coração parte

certezas, também

 

parto

partir

parti

lhar

 

os sonhos

a vida

o tempo

 

ou alguns pensamentos vagantes

que façam sentido

que façam

sentir

mal sabia

que ao escrever o texto abaixo tudo começaria a se encaminhar pra cicatrização.

quase um mês depois, o dia de finalmente poder encarar quem um dia já me fez tão bem chegou, passou e se foi. foi estranho, como não poderia deixar de ser, e a naturalidade que antes era tão presente hoje já não. foi bom, apesar de tudo, finalmente conseguir entender que o que foi não é mais, quem tu era já não é e quem eu sou também não. o tempo altera líquidos, cores e amores. pessoas, também. apesar do mesmo nome, mesmo corpo, impossível sermos exatamente os mesmos de outrora. e isso é muito bom, pra ser bem sincera.

te libertar é me ver livre de laços que já não faziam mais sentido.

desapegar é um processo lento, doloroso, angustiante. mas que no final nos deixa leves. e se não for pra ficar leve até voar, nem sei o porquê de estarmos aqui.

torço muito pra que tu encontre a felicidade em novos ares, que te permita ser o melhor que puder se tornar e se torne a inspiração que tanto deseja ser. de verdade. que lindo ter tido barreiras transpassadas, mesmo os muros mais altos.

muito obrigada por tudo.

vai,

eu queria te deixar ir. juro que queria.

não entendo porque depois de tantos meses de gelo, tantas demonstrações claras (e outras nem tanto) de querer te afastar… não entendo porque nem assim eu consigo parar de pensar em ti, sentir saudades de conversar contigo todos os dias até morrer de rir, pensar o que te levou a começar a se distanciar e o que me levou a enlouquecer completamente quando isso começou a acontecer.

dependência emocional é a pior merda que eu já tive o desprazer de presenciar na minha vida. junte isso com depressão até então não tratada, crises de ansiedade, uma insegurança e imagem autodepreciativa absurdas e tente entender.

eu só queria poder olhar bem nos teus olhos e te entender.

pra então conseguir, finalmente, te deixar ir. ou ficar. sei lá.

desapego

Receita de bolo: pra sair da dependência emocional você precisa:

1. Preencher as lacunas do seu tempo com alguma atividade
2. Aprender a desapegar de objetos materiais
3. Excluir a pessoa das redes sociais, sem dó. Seu emocional em primeiro lugar
4. Eventualmente, se conversar com a pessoa, não queira consertar o que disse. Exceto em situações de xingamento. Nada de ”eu poderia ter colocado mais um ‘k’ na minha risada, poderia ter colocado mais um ‘i’ no meu oi”.
5. O mais importante: fuja da sindrome do Enfermeiro. Você não vai curar ninguém. Se a pessoa com quem vc é apegada emocionalmente vir toda machucadinha pra vc, deixe que ela se vire. Do contrário, após vc se matar para sarar suas feridas, ela levantará, terá alta e irá embora, vai nem agradecer.

Até mais, pessoal

[MACHADO, Eduardo]

(aqui: youtube.com/watch?v=2QFaWnUt-NY)

tatuagens

estava ouvindo uma playlist dessas que o Spotify sugere e parece que foram feitas exatamente pra ti, sabe?

pois bem, o nome dessa era “your time capsule”. bom, parando agora pra pensar, talvez ela tenha mesmo sido feita pra mim, rs.

enfim, o ponto é que começou a tocar Wonderwall e de repente é como se alguém tivesse começado a girar a manivela daquelas máquinas antigas de cinema, o filme começasse a rodar, as luzes se apagassem e eu fosse a única espectadora. Wonderwall é aquela música que começa do nada e de repente parece que o mundo inteiro parou pra ela.

a primeira vez que pude presenciar isso foi no Beco, em Porto Alegre, e foi com um dos meus melhores amigos. deve fazer uns 4 ou 5 anos e ele tinha praticamente me obrigado a sair de casa no Carnaval e quando vi lá estávamos nós, abraçados, com a cara cheia de tinta e cantando a plenos pulmões, olhando um pro outro, “you’re my wonderwaaaaaaaaaaall!”.

eu estava quase chorando.

foi lindo.

já a segunda vez foi um pouquinho mais longe de casa, em Berlin, no meio de um mochilão que havia decidido fazer sozinha, mas sozinha não estava mais. haviam uns 6 guris britânicos hospedados no mesmo quarto que eu e a gente virou quase irmãos em poucas horas.

aquela era possivelmente a minha primeira noite na cidade, nós estávamos no fim de um pub crowl, no meio de uma discoteca dos anos 80 (com aquelas bolinhas coloridas e tudo). estávamos eu e mais cinco deles ali nos divertindo, enquanto um havia se dispersado com outra pessoa qualquer (dessas que pegam uma paixão tua e usam isso pra te hipnotizar nas próximas horas e aí tu te ilude e a merda tá feita… sabe?). começou a tocar Wonderwall. nós nos entendemos pelo olhar. aparentemente essa era uma música-tema pra eles também e quando vi um deles havia saído do meio de nós pra tentar buscar o membro perdido. o membro perdido já havia caído na hipnose. então outro foi. mesma coisa. e aí eu meti na minha cabeça que iria e voltaria com esse guri comigo não importa o que acontecesse.

nem eu sei como fiz aquilo.

mas quando encontrei o dito cujo escorado num balcão com o outro cara, pedi licença, cheguei lá, balbuciei alguma coisa que não sei bem o que foi, e, no menor sinal assertativo do guri, o puxei pela mão e levei até a outra pista.

os outros 5 não acreditaram no que viram.

e nem eu. mas quando dei por mim estávamos todos nós abraçados numa rodinha cantando Wonderwall inteirinha e aquilo foi uma das cenas mais bonitas que tenho lembrança. lembro de ter pensado: “agora entendo o que Charlie quis dizer quando escreveu que se sentia infinito naquele livro!” e ter agradecido internamente por aquilo estar acontecendo e eu estar lá.

a terceira vez que a música tocou no meio de um momento memorável foi no final do ano passado, já aqui na minha cidade-natal. estava no meio de uma noite dessas que demoram a passar e, mesmo cansada, o corpo decide não dormir. em mim, particularmente, quando isso acontece sei que é hora de deixar a expressão sair numa folha de papel. era algo que me incomodava e incomodava muito.

quando uma pessoa que um dia tu julgou conhecer e passou a admirar tem atitudes TÃO distantes do que ela costumava ser antes de tu viajar que começa a te perguntar quando foi que essa criatura passou de amigo a completo desconhecido e por que raios tu só notou agora. e aí eu, na minha trouxa ingenuidade, tento entender. me colocar no lugar. ver o que pode ter mudado. tento fazer o possível pra me adaptar numa nova realidade. só que o que uma pessoa não quer, duas não fazem.

acontece que não sei lidar com finais que não terminam.

então tratei de pôr um ponto final e, devo dizer, foi bem dramático. mas tudo bem, eu sou assim. escrevi, escrevi bastante mesmo, e no final acabou com “and afterall you’re my wonderwall”. acabei aquela carta com a sensação de que finalmente entendi todas as nuances dessas linhas.

uma música, 3 lembranças, duas felizes e uma bem triste.

talvez músicas sejam assim tão poderosas porque também são tatuagens. usam de agulha, talvez algumas cores, mas, ao invés de marcarem a pele, tatuam as memórias.

O que me inspira?

Tenho me deparado (ao longo da vida) com a tal da Síndrome das Mil Abas.

O que isso significa? Basicamente, demoro o tempo de um piscar de olhos pra ter aproximadamente 50 abas abertas no meu navegador. Eu queria que o número 50 fosse um exagero dramático, mas… guess what.

Ok, mas… o que isso realmente significa? Que o hábito de procrastinar se manifesta nas mais diversas esferas dessa vida e se eu não quiser sofrer com isso pra sempre, devo mudar alguma atitude.

E é por isso que resolvi dar as caras aqui novamente. =)

Tenho percebido que várias dessas abas se devem a ter encontrado algo que me inspirou (sejam palavras, desenhos, fotografias) e as ter deixado abertas é para reler algum outro dia e me surpreender com a mágica da (re)interpretação. No caso das imagens, o Pinterest tem se mostrado uma ferramenta siginificativa. E, no caso das palavras, aqui estamos nós.

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O texto de hoje é de uma pessoa que tive o prazer de conhecer pessoalmente. É dessas poucas que tive a sensação de conhecer de algum outro lugar antes do “dia em que a conheci”, mas nunca ter descoberto de onde. Enfim. Um tempão depois desse dia, encontrei essas palavras:

Se você quer saber das minhas qualificações profissionais está tudo no perfil no Linkedin. Vai lá e da uma olhada. Mas se você quer saber de uma pessoa de carne e osso continue lendo.

Já vivi o suficiente para saber que as experiências de vida são as que contam. Portanto deixe-me contar um pouco sobre mim. Morei em 14 casas, em oito cidades diferentes e dois continentes. Durante muitos anos a única coisa estável em minha vida foi a mudança. O foco no planejamento e organização fui aprendendo na prática, com os erros e melhorando com os acertos.

Morei fora do Brasil quando adolescente e voltei com a máxima de “faça você mesmo” e isso me influencia até hoje. Trabalhei como professora de inglês ao longo da faculdade e minha paixão pelas pessoas me levou a estudar tudo que estivesse relacionado a elas e descobri muito cedo que viajar é transformador! 

Conhecer lugares diferentes, aprender outros idiomas = novas formas de pensar, pois a língua que falamos estrutura nossos pensamentos. Ter a possibilidade de fazer amigos culturalmente diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes pessoalmente me faz crer que as viagens físicas são também viagens interiores, e essas podemos realizar independente de onde estivermos. Isto é o que muita gente chama deautoconhecimento.

Tenho duas filhas, inúmeros amigos, falo três idiomas e certamente os aprendizados mais importantes sempre acontecem na relação com as pessoas. Meu gosto pela leitura é compartilhado com alguns amigos e as trocas de livros é uma prática constante.

O envolvimento com trabalhos sociais, projeto e execução, acontece pela confiança que tenho nas pessoas. Isso me levou a ser facilitadora de processos de aprendizagem em lugares como: comunidades, escolas, faculdades, universidades, ONGs.

Mais do que conhecer aos outros, a chave está em conhecer-se a si mesmo. E essa não é uma viagem solitária, pois a identidade se revela na presença do outro. Conhecer o que gosto e não gosto tornam visíveis minhas fortalezas e necessidades de desenvolvimento. 

Se você achou que este texto é sobre mim deixe-me esclarecer que é sobre você. Você que leu até o final também deve estar ávido de histórias reais, com cheiros, toques e sabores. Você também está afim de uma vida menos plástico e mais … (complete como quiser).

O processo de Estratégia de Vida (Life Strategy) é uma das muitas possibilidades de você construir a vida que deseja. 

Lembre-se! A decisão é sua.

[as doces palavras são de Stella Bittencourt

e é possível encontrá-las por aqui.]