por onde andam as rosas?

Tudo na vida exige seleção. Desde os canais que tu assina no YouTube até os teus amigos mais próximos.

E eu? Sempre tive problemas com seleções.

E com parar de reclamar, também.

Demora um tempo, mas chega num ponto que tu te dá conta que não dá pra te dedicar o tanto que as coisas (ou pessoas) exigem se tu, primeiro, não decidir o que (ou quem) é prioridade pra ti. Variedade é importante pra te dar noção da dimensão das tuas opções, é verdade. Só que os dias têm apenas 24h. E o que tu fizer dentro delas vai te tornar quem tu é – ou quer ser.

No final das contas, é aquilo que já dizia a raposa pro pequeno príncipe, “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez dela tão importante”.

Então, quando tiver que dizer um não para poder dizer um sim, não te esquece das pessoas que te consideraram a rosa delas, também.Ou as que já não consideram mais. Saiba valorizar isso, te reinventar, te (des)apegar. Às vezes dói, às vezes da vontade de gritar, às vezes de abraçar e outras de sorrir. É a vida, afinal.

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Lê primeiro, como uma história. Depois ouve. =)

 

Parece cocaína mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são agora da virtude que perdemos

Há tempos tive um sonho
Não me lembro

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados a não termos mais nem isso

Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito

Disseste que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes
Teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira

E há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade
Há tempos são os jovens que adoecem
Há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção

Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa

Libertação.

Talvez já tenha acontecido contigo.

Sabe aquele momento em que tu fica em um estado de consciência TÃO gigante sobre a tua vida e tudo que te fez te tornar o que tu é hoje? Que as peças do quebra-cabeça parecem se encaixar completamente? Que tudo faz sentido?

Que tu talvez não goste muito da imagem que o quebra-cabeça forma?

Então.

Há pouco foi o último. O mais forte de todos, aliás.

Junto dele, uma sensação de não-pertencimento tão sufocante que deu vontade de chorar. Perceber que o meio onde tu vive, as pessoas com quem tu convive (que nem sempre são da tua escolha) e até mesmo alguns membros da tua própria família são responsáveis por despertar/influenciar em ti um tipo mais específico de comportamento pode ser mais assustador do que bonito. Perceber um brilho diferente em cada um e, ao olhar pra ti, ver que tu é uma pessoa sem brilho algum. Daquelas bem desinteressantes mesmo, que até podem ter algum conhecimento sobre algumas coisas legais, mas nem pra transmitir de um jeito legal pra outras pessoas tu serve. Sabe?

Sou eu. Esse peso no mundo que só bagunça a vida dos outros e não faz a menor ideia do que está fazendo com a própria vida. =)

22 anos depois percebi que quase metade da minha vida foi lutando contra características que nasceram muito provavelmente por causa do meio em que vivo. Olha bem o desperdício de tempo. É uma luta constante – que nem sei se algum dia vai ter fim – de mim contra eu mesma. E no meio disso tudo fica esse tiroteio de informações da vida moderna, onde ninguém sabe de onde veio ou pra onde vai – e poucas pessoas estão realmente interessadas em sair do piloto automático e dar um sentido pra essa coisa toda.

A louca sou eu – e eu tenho plena consciência disso.

Só não descobri ainda como faz pra mudar.

Será que lá se vão mais 22?

Nota mental

Tem palavras que doem lá no fundo do peito.

Tem músicas que têm o poder de te abraçar.

Tem pessoas que despertam a tua melhor versão.

Tem momentos que só se vive uma vez.

Tem situações que, apesar de se “repetirem”, vão acabar em alguma hora. E isso é inevitável.

Só, por favor, não esquece de aproveitar e dar o melhor de ti em cada segundo da tua vida, especialmente aqueles que outras pessoas decidiram gastar contigo. Eles não voltam. Eles são preciosos. É uma parte da tua vida que passou e é uma parte da vida das outras pessoas que passou. Tu tem noção do quanto é LINDO vocês terem decidido compartilhar o tempo de vocês, que nunca mais na história do UNIVERSO vai voltar, juntos?

Coloca teus fones e vem cá. Toma esse soco no estômago e esse abraço apertado:

Umas coisinhas aí pra não esquecer mais

Uma vez, no meio do meu trabalho, um professor e alguns alunos discutiam sobre como encontrar a alternativa certa entre uma infinidade de opções. Uma aluna estava indecisa com o curso dela e, em sucessivas tentativas desesperadas, seguia procurando na opinião das outras pessoas a solução pro seu próprio problema. E então, esse professor começou a sua explicação, que foi mais ou menos assim: “Tu precisa te arriscar pra descobrir o que tu gosta e o que não serve pra ti. Por exemplo: tem gente que vive sonhando em encontrar um grande amor, mas não sai de casa. Como é que alguma coisa vai mudar na vida dessas pessoas se elas mesmas não se dão muita oportunidade? Agora imagina as pessoas que saem um pouquinho mais de casa, conversam com outras que nunca viram, transformam desconhecidos em conhecidos… As chances de ESSAS pessoas encontrarem quem tanto procuram é MUITO maior, concorda? O mesmo acontece com praticamente todas as outras coisas, incluindo o curso que tu procura.”

De alguma maneira, isso mudou toda minha vida.

Puta clichezão dizer isso, mas é verdade.

Comecei dizer “e por que não?” cada vez que surgia um convite de algum amigo pra sair, nem que seja pra ir até um Subway da vida (coisa que antes eu gastava mais energia pensando nas desculpas pra justificar um “não” do que nas possibilidades de um “sim”). A intenção aqui não era exatamente encontrar um grande amor, mas ter uma ideia do que eu poderia estar perdendo quando decidia, sem pensar duas vezes, ir direto pra casa (lá onde eu mesma posso decidir quase tudo o que acontece e premeditar o restante do dia). Só mudando ISSO já conheci tanta gente incrível (e tanta gente que eu passei a abominar) que nem cabe contar. Se meu eu do futuro fosse fofocar pro meu eu do passado as coisas que eu viveria nessa cidadezinha pequena só com essa mudança de pensamento, nem eu mesma acreditaria.

Parei de me culpar por ter começado a estudar em 2 cursos diferentes em 2 universidades diferentes e não ter me encontrado em nenhum deles. E comecei a ver a coisa de outro ângulo. Cada uma dessas experiências me trouxe (e tá trazendo) uma infinidade de aprendizados que eu nem mesmo imaginava. E o mais bonito de tudo é que isso não fica só no campo profissional. Se estende às habilidades pessoais também – talvez especialmente. Viajar sozinha, puxar assunto com estranhos, não ter mais vergonha de expôr minha opinião (mesmo quando difere de todas as outras do grupo), ser crítica, saber evitar gente que não desperta uma versão boa de mim, entender quando é hora de ficar e quando é hora de partir, fazer umas loucuras com gente que conheço há poucos dias ou meses… Ih, a lista é longa. E, como se não bastasse, descobri que hobbies nem sempre podem ser transformados em profissão. E que a profissão que tu vai te encontrar talvez nem estivesse na tua lista de opções.

E como tu vai descobrir?

Tentando. Quebrando a cara. Tentando de novo. Quebrando a cara de novo. Tentando mais uma vez. Quebrando a cara mais uma vez. E tentando de novo. Até acertar.

Cada um desses erros é que vai te dar o suporte necessário pro teu acerto. É te expondo a novas experiências que tu vai te transformar da pessoa que tu é pra pessoa que tu precisa ser. E é a pessoa que tu precisa ser que vai conseguir te guiar pra evolução.

Inclusive, por falar em evolução, quem aqui não se perguntou dezenas de vezes qual o sentido de estar por aqui? Ou como descobrir o caminho da felicidade?

Tu já parou pra pensar que talvez, ao contrário do que as pessoas vêm nos falando há uma VIDA, o sentido pode não ser “ser feliz”? Foi no meio de um teatro que eu levei o tapão na cara. Sim, eu também era uma dessas sonhadoras que acredita que tem que a felicidade estava logo ali. E a culpa não é nossa. É que isso já criou raízes TÃO profundas em toda a sociedade – e é ensinado pra gente desde tão pequenos – que a gente nem se questiona mais. Mas, se tu parar pra pensar, talvez a gente não esteja aqui pra ser feliz e sim pra evoluir.

Tenta tirar o peso de “ser feliz” das costas e  começa a ver a vida da perspectiva de que tudo é “evolução” e me diz se não faz mais sentido. Cada experiência, cada erro, cada acerto, cada sorriso, cada lágrima, cada grito, cada tombo… Tudo contribui pra tu te tornar uma pessoa melhor. Evolução. E a felicidade? A felicidade é um estado de espírito. Não tem como tu “ser feliz”, mas “estar feliz”. Uma hora tu está feliz, na outra triste, em outra hora tu está radiante… Mas, na maior parte do tempo, tu está neutro. Quando tem picos de um sentimento ou de outro é que a coisa muda.

Então faça o favor pra ti mesma de parar de te culpar pelas decisões aparentemente erradas e vai aproveitar essas oportunidades maravilhosas de evolução.

 

 

[E volta pra ler isso aqui cada vez que tu te sentir desmotivada. Tua memória não é das melhores e é exatamente por isso que tu usa teus textos como nota mental. E fala sozinha escrevendo. Porque em texto tá permitido. E tenho dito.]

Desci do salto.

De repente tudo fica muito nítido. Muito óbvio.

Às vezes demoram algumas semanas. No meu caso, anos.

A gente é uma soma de todas as situações que viveu e de todas as pessoas com quem conviveu. A gente influencia e se deixa influenciar e, na maior parte das vezes, nem mesmo se dá conta disso.

Eu, por exemplo, durante anos sofri com problemas que sempre julguei serem só meus. Minha completa e inteira responsabilidade. E então, num dia, numa briga, de repente, uma palavra gritada ali, outra retrucada ali, e toda a perspectiva do negócio mudou.

Me dei conta que tudo o que eu fui sempre era um pouquinho dos outros também. E esse pouquinho foi crescendo e crescendo e crescendo até que de alguma forma a minha identidade se fundiu com a deles.

A minha timidez não é só minha. Esse lado contido que por um lado já me salvou de algumas situações, mas por outro me fez perder ótimas oportunidades, é herança de uma criação que começou antes mesmo de eu nascer. De uma avó que, quando mãe, criou seus filhos para cuidarem com o que os outros possam pensar, para conterem suas vontades – se essas não condizem com as regras de conduta ditas normais numa sociedade -, para aprenderem a se comportar. Serem obedientes e conformados com o que vier.

Enquanto isso, no extremo oposto, outra família nascia. Certamente com um pouco mais de liberdade na criação no que diz respeito a se divertir sem se preocupar com os níveis de loucura que tu está atingindo (por “loucura” entenda todo e qualquer comportamento que não é esperado em determinada situação ou de determinada pessoa). Se beber fosse necessário para a diversão, então bebida iríamos ter. O problema aqui é que ninguém lembra de levar em conta o quão transformador o álcool pode ser em uma pessoa. Hoje, bastam algumas horas pra que as brigas comecem e as mágoas contidas durante anos venham à tona.

Basicamente é por isso que eu evito bebida alcoólica além da dose que mantém meu equilíbrio emocional intacto quando saio pra qualquer evento.

De um lado ou de outro, a questão é que ambos acabam em merda. A diferença é que a merda contida te atormenta internamente, enquanto a merda jogada na cara dos outros causa o alvoroço em tempo real mesmo.

Dependendo o lado da família que cria o evento, uma versão diferente de mim é exigida.

No meio dessa guerra emocional é exatamente onde eu me encontro.

 

Apesar de tudo isso, tem também um ponto onde as linhas convergem: julgamento alheio. Pára de gritar! O que os vizinhos vão pensar da gente? Pára de comer tanto! Parece desesperada! Não desobedece a mãe e o pai que Deus castiga! Releva o que a vó diz. Não responde, não adianta. Aliás, não discute com ninguém. Engole sapo e cala essa boca que é melhor. Tu vai sem salto num casamento? Tu acha mesmo que todo mundo aqui tá gostando de usar salto? Aguenta a dor nos pés e vai ir de salto sim! Tu tá RIDÍCULA de sapatilha. Vai tomar vergonha nessa tua cara e coloca o salto de volta!

As fases vão mudando. O terror psicológico vai crescendo. Na escola, é o que os colegas vão pensar de ti. Ou os do trabalho. Ou os da universidade. Quando sai, é o que os amigos vão pensar de ti. Ou os conhecidos. Ou os desconhecidos. Aquelas vozes vão ficando mais altas e mais altas e aquilo tudo é ensurdecedor e tu vai pirando e… De repente, abaixa o volume. Tu te desconecta de todo o mundo.

As roupas que tu usa já não são tão básicas e normaizinhas. Elas dão lugar às camisetas de banda, às roupas rasgadas ou recortadas, que tu mesma fez em casa. O teu cabelo já não é mais tão certinho simplesmente porque tu acha melhor que fique bagunçado. Se tu quer ir pra casa noturna de All Star tu vai. Se tu usa óculos enquanto todo mundo ao teu redor usa lente, aprende que também pode. Se tu tem vontade de sair de chapéu, mesmo sem nunca ter vestido antes, é exatamente isso que tu faz. Se de repente tu quer trocar o tradicional batom cor de boca por um vermelho escuro, um roxo ou um preto, tu vai lá e pinta. Até os pingentes dos colares que tu usa têm algum significado pra ti. Tudo na tua aparência de repente reflete um pouquinho da tua personalidade. Tu te sente mais à vontade sendo quem tu é. Tu atrai gente mais parecida contigo e nem percebe o porquê.

Tu sai do teu casulo, do teu quarto, onde tu pode decidir exatamente o que vai acontecer em cada hora do dia, e resolve dar uma chance ao desconhecido. Começa a dizer “sim” pros convites que teus amigos fazem pra ir em lugares que tu nunca foi, por mais improváveis de tu gostar que eles sejam. Quebra preconceitos. Um mundo incrível começa a se desvendar bem diante dos teus olhos e nem tão longe da tua casa.

Recebe convite pra um emprego novo. Diria “não”, como de costume. Mas sabe o que foi? O convite veio na fase do “e por que não?”. E assim começou a próxima onda de mudanças – que está sendo bem além do âmbito profissional. Ainda bem.

Agora já passa mais tempo fora de casa, se deixa influenciar não só por outros ambientes, mas por outras pessoas também. Descobre uma versão melhor de si mesma. E isso vai além da tua percepção. Agora tu já consegue dizer “não” pra quem tu só via por obrigação moral. Tu consegue fazer mais piadas – coisa que exige espontaneidade e, por consequência, ausência de preocupação com julgamento alheio. Se riu alto no meio do casamento bem quando a música parou – tal qual Chaves falando do professor Girafales quando o próprio chega, junto com o silêncio instantâneo da turma – isso já não é mais motivo pra paranoia ou pra gastar as horas seguintes pensando nas 1001 possibilidades de desfechos diferentes. Resulta em mais risadas. Mesmo com repreensão da tua família, julgando aquilo crime mortal.

Sabe o que é? Tu está mudando.

E descobrindo que tem vezes que, pra te descobrir, é necessário te afastar de pessoas que tu ama – ao mesmo tempo em que tu esbarra com outras pra aprender a amar.

Olá, evolução. Seja muito bem vinda!